A dívida com o pouco conhecimento
“A ideologia está em todas as relações sociais, em todas as manifestações humanas, em toda a interpretação do mundo.” Clóvis de Barros Filho[1]
Até certo tempo, tudo o que podíamos fazer para buscar
conhecimento era realizar uma busca em enciclopédias. Ah, isso deixa o assunto
um tanto nostálgico!
Eu me lembro de frequentar bibliotecas, tanto no período
escolar, ou até nas instituições municipais. Essa experiência sobre o
conhecimento através de um certo esforço que prioriza o aprendizado vem de
pensadores influentes na nossa sociedade.
“É mais fácil avaliar do espírito de qualquer pessoa
pelas suas perguntas do que pelas suas respostas” John Locke [2]
Quem pode obter discernimento, e até senso crítico, apenas
numa ideia fixa sintetizando sua busca por conhecimento? Penso que, muitas
vezes, precisamos conhecer assuntos diversos, para um tema específico. Essa é a
temática da modernidade. Com os aparelhos eletrônicos nas mãos, ficou mais fácil
acesso de informações dando acesso aos usuários, onde tudo fica mais
simplificado.
Pensando de modo racional, a ‘correria’ de nossas vidas
necessita de ferramentas que agilizem, e facilitem, o acesso a informações que
nem sempre estamos em par do assunto; acontece que, de certa forma, há pessoas buscando
informações para desvalidar argumentos.
Essa ideia me incomoda, de certa forma, até por conta da
revolução de pensamento que surgiu. A dualidade de informações fez o ser
humano questionar alguns fatos históricos, estudos científicos, e, até mesmo,
divergem de opiniões com pessoas especializadas nos assuntos. Me incomoda como
as pessoas não estão conscientes de conhecimento, por um discurso validado onde
a verdade, para algumas dessas pessoas, pode não ser real.
E uma pergunta, feita em uma das redes sociais, é o ponto que
mais me incomoda:
“Ei, Grok,[3] isso é verdade?”
Quando delegamos nossa falta de conhecimento à um banco de
informações quer dizer que perdemos nossa questão humana em razão do
conhecimento, deixando à parte a interação com o discurso construtivo, dando
uma brecha para a constatação da nossa falta de informação, ou até, corroborando
com a nossa ignorância.
Do meu ponto de vista, não há dica, não há fórmula para
compreendermos a veracidade de uma informação, e suas demandas factuais. A
única forma de promover um saber é viver na curiosidade, deixar seu pensamento
em aberto, mesmo que você precise não opinar em certos assuntos, para depois
buscar a verdadeira informação.
Com isso, priorizo a intenção de dar as pessoas a dimensão da
nossa falha humana, com a esperança de promover o conceito de que informação
nunca é demais, com a ressalva de que a verdadeira informação deve prevalecer. Nunca
fique em dívida com sua formação de conhecimento, apenas perceba que com o
pouco, deixará de prevalecer sua credibilidade, mas com o mínimo, terás a noção
de grandeza da alma, mesmo que não seja isso que almeja.
Daniel Ribeiro da Cruz, poeta e cronista
[1] Clóvis de Barros Filho (Ribeirão Preto, 21 de outubro de 1965) é um jornalista, filósofo e professor livre-docente na área de Ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Dentre seus livros, publicou "Ética na Comunicação" (Summus, 2008), é co-autor de "O Habitus na Comunicação" (Paulus, 2003) e organizador de "Comunicação na Polis" (Vozes, 2002)
[2] John Locke foi
um filósofo inglês conhecido como o "pai do liberalismo", sendo
considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos
principais teóricos do contrato social. Locke ficou conhecido como o fundador
do empirismo, além de defender a liberdade e a tolerância religiosa.
[3] Grok é um
assistente de inteligência artificial (IA) criado pela xAI, empresa de Elon
Musk, que está disponível para usuários do X (antigo Twitter) e usa um modelo
de linguagem grande (LLM) de ponta para responder perguntas e resolver tarefas
com um toque de humor e inteligência.
05 de Outubro de 2025
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