Este Ano

 

Este ano, até agora, não escrevi nada. E talvez não consiga mais escrever sobre nada. Em outras situações, talvez queira fazer apenas um breve comentário, já que há tantos assuntos pertinentes que ocorrem no mundo. A maioria sobre a mudança de comportamento da humanidade. Por isso, a razão sobre não ter escrito, nem estar disposto a escrever.

A minha fase é de aprendizado e absorção das coisas que percebo e não tenho como explicar. Não tem como explicar as razões de pessoas cometendo diversas atrocidades; e entre os principais tópicos deste fato estão a violência com as mulheres, ou a injustiça com os animais. Também existe o fato de que há pessoas sendo mais abertas em suas opiniões; discutindo, guerreando, causando revoluções, e, em consequência, surgindo nas discussões o termo denominado polarização.

De tudo isto, ainda estou aprendendo, até a me posicionar. E aprendendo a lidar com as opiniões diversas e com a evolução da humanidade. No decorrer disto tudo, existe a evolução das máquinas. Esse advento já revolucionou os acontecimentos no mundo, apesar da compulsória ação hedionda e ignomínia, e apesar, também, de o ser humano ainda se comportar de forma tão degringolada e com impropriedade sobre essa evolução, há quem sugira que podemos revolucionar as nossas ações através das máquinas inteligentes.

Essa semana mesmo, tive uma conversa com uma dessas pessoas; foi uma consulta sobre um tema que preciso evoluir e procurei essa pessoa, pois sabia da sua autoridade no assunto. Ouvi conselhos que me mostraram a realidade sobre a necessidade em se render a Inteligência Artificial. De forma clara, o propósito que me foi oferecido tencionava a me render ao método oferecido pela nova ferramenta da computação, com o intuito de alcançar os objetivos que tinha.


Essa nova absorção de realidade tem contribuído para me fazer pensar em mudanças. Mudar meu jeito de pensar, minha forma de apreender um conceito; tudo isso por que, a evolução não é apenas um estilo de vida, é o novo estilo de vida. Mal sabe Da Vinci que o mundo é outro, nem Turing pode imaginar que seu projeto de inovação está em outro patamar. E, graças a pensadores como Brand e Lévy, a era da informatização e inteligência artificial se tornou possível.

Mas, só por isso você não vai mais escrever? A resposta é: não. O que preciso é de tempo para inserir essa mudança de opinião. Para mim, a escrita é uma habilidade humana. No entanto, é necessário compreender que as propostas de reflexão se tornem amplas, a ponto de ter a capacidade de utilizar as palavras que não ferem a essência da humanidade.

Com forma, estamos aptos para escrita. Como articuladores, somos preparados para a fala e a persuasão. Mas o mais importante, na escrita, para mim, é o que queremos eternizar no pensamento. Assim como disse José Saramago: “Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever”. E como dita a regra da Inteligência Artificial, espero que tudo que escrevo seja mencionado em seus bancos de dados.

Daniel Ribeiro da Cruz, poeta e cronista.



 

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