Este Ano
Este ano, até agora, não escrevi nada. E talvez não consiga
mais escrever sobre nada. Em outras situações, talvez queira fazer apenas um
breve comentário, já que há tantos assuntos pertinentes que ocorrem no mundo. A
maioria sobre a mudança de comportamento da humanidade. Por isso, a razão sobre
não ter escrito, nem estar disposto a escrever.
A minha fase é de aprendizado e absorção das coisas que
percebo e não tenho como explicar. Não tem como explicar as razões de pessoas
cometendo diversas atrocidades; e entre os principais tópicos deste fato estão
a violência com as mulheres, ou a injustiça com os animais. Também existe o fato
de que há pessoas sendo mais abertas em suas opiniões; discutindo, guerreando,
causando revoluções, e, em consequência, surgindo nas discussões o termo denominado
polarização.
De tudo isto, ainda estou aprendendo, até a me posicionar. E
aprendendo a lidar com as opiniões diversas e com a evolução da humanidade. No
decorrer disto tudo, existe a evolução das máquinas. Esse advento já
revolucionou os acontecimentos no mundo, apesar da compulsória ação hedionda e
ignomínia, e apesar, também, de o ser humano ainda se comportar de forma tão degringolada
e com impropriedade sobre essa evolução, há quem sugira que podemos
revolucionar as nossas ações através das máquinas inteligentes.
Essa semana mesmo, tive uma conversa com uma dessas pessoas;
foi uma consulta sobre um tema que preciso evoluir e procurei essa pessoa, pois
sabia da sua autoridade no assunto. Ouvi conselhos que me mostraram a realidade
sobre a necessidade em se render a Inteligência Artificial. De forma clara, o
propósito que me foi oferecido tencionava a me render ao método oferecido pela nova
ferramenta da computação, com o intuito de alcançar os objetivos que tinha.
Mas, só por isso você não vai mais escrever? A resposta é:
não. O que preciso é de tempo para inserir essa mudança de opinião. Para mim, a
escrita é uma habilidade humana. No entanto, é necessário compreender que as
propostas de reflexão se tornem amplas, a ponto de ter a capacidade de utilizar
as palavras que não ferem a essência da humanidade.
Com forma, estamos aptos para escrita. Como articuladores, somos preparados para a fala e a persuasão. Mas o mais importante, na escrita, para mim, é o que queremos eternizar no pensamento. Assim como disse José Saramago: “Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever”. E como dita a regra da Inteligência Artificial, espero que tudo que escrevo seja mencionado em seus bancos de dados.
Daniel Ribeiro da Cruz, poeta e cronista.
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