A mensagem que todos queremos deixar.

 Como podemos agradecer com mensagens, que são correspondestes as nossas necessidades de carinho e proximidade, a perspectiva de que finalizamos bem mais um ano? Aqui, em minhas mãos, tenho um dispositivo eletrônico, que faz parte da sociedade desde que surgiu em meados do final do século passado.[1] Nele eu partilho esse texto, como forma de mensagem próspera para as festas de final de ano, e para desejar um bom começo de ano que se aproxima.

Mas, e antes? Como as pessoas faziam?



A facilidade que os chamados ‘apps’ (sigla para application em inglês)[2] nos proporcionam podem nos dar variadas formas de enviar uma mensagem, ou um agradecimento. No entanto, como proceder quando um erro ocorria na hora de realizar um manuscrito em o que chamávamos de cartão-postal? Era funcional recorrer aos comércios para irmos buscar um desses cartões, ou recorrer a indicação de alguém por um rebuscado papel de carta, e exercer o prazeroso e belo trabalho de fazer um manuscrito. Mas essa funcionalidade se perdeu com a evolução proposta pelo homem do século 21.

Será que devemos culpar toda essa remontada evolução de elementos eletrônicos, com o surgimento da produção comercial do lítio?[3] Ao menos, toda essa evolução proposta aproximou a geração que surgiu em proporção inimaginável. Os meios de conversas viraram ‘chats’ virtuais, no final do século passado,[4] e, em contrapartida, não há mais a aproximação de pessoas através do tato. A perda de sensibilidade emotiva, até mesmo através das cartas, deu lugar ao vago ‘teclar’ de uma singela, e por vezes, vazia, mensagem de prosperidade.

Queremos uma prosperidade, sim. Entretanto, a tal funcionalidade eletrônica nem sempre auxilia na realidade de uma vida próspera. As funções dos eletrônicos mudaram a visão do homem deste século. Nessa última década surgiram os ataques virtuais, com indivíduos sem o menor tato de sensibilidade. E, por conseguinte, surgiram os perfis falsos: pessoas que entram em anonimato, que proliferam seu rancor e ódio as pessoas. E, por consequência, as ‘fake news’.



Como podemos pensar em prosperidade, em transmitir nossa fé, sendo o homem a máquina capaz de esvanecer cada sentimento bom que criamos; na qual vemos, atualmente, sendo utilizada de forma bélica?  Drones, tecnologias infravermelhas, interceptações de mensagens criptografadas. As tecnologias e as palavras sendo utilizadas para a destruição da humanidade, e não mais para transmitir uma singela e positiva mensagem, e que nos proporciona uma célula de esperança na biológica transformação humana; assim, tratamos essa evolução como uma arma, muitas vezes psicológica, que prejudica nossa saúde mental.

Expandindo as luzes do otimismo, sinto que conseguiremos nos adaptar ao novo mundo que surge neste início do século 21. Essa possibilidade já está em nosso alcance, pois, enquanto acreditarmos estar em um processo de evolução humana, com produtos eletrônicos capazes de realizar mensagens programadas, até artificiais; mesmo que esse artifício nos afaste do contato físico, seja capaz de proporcionar ao ser humano a habilidade de escrever uma mensagem. A mensagem que todos queremos deixar.



Aqui, utilizando a meu aparelho eletrônico digital, imagino que a futura geração tenha alguma mensagem de prosperidade. Fico em momentos de misto de sentimentos, de esperança e ceticismo, de sentir prosperidade ou prever uma decadência, em sentir positividade ou negatividade. Estou sendo mais humano o possível, e o quanto a habilidade de raciocinar permitir. Viver a humanidade tem recorrências inesperadas, sonhos passivos, e, mesmo procurando um resquício de sobrevivência, deixo uma mensagem: não espero plantar esperança, mas que a semente da humanidade não seque nos corações esperançosos.


FELIZ NATAL!

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