DOS SONHOS DE INFÂNCIA QUE EU NUNCA ESQUECI

O abismo acentuado me amedronta, e resolvo alcançar ordens celestiais; vidas mais divinas ou humanas são, no espaço, um mundo a mais; eu que não esqueço de olhar outra vez, me distraí novamente.
Olho, de novo, o abismo que me espera, atraído de desejo, olho para o céu e para trás; lagrimas que relutam a se esconder, tudo me espera, quando tudo parece ser mentira.
Espero ordens celestiais diante do abismo acentuado, me esperando com malícias e poderes, abrigando outra vivacidade em tanta voracidade, tanta confusão pelo caminho; olho o céu, lagrimas que caem, espero a ordem, olho pra trás, então me jogo.

Enquanto a queda está me assombrando vejo um lapso do que foi o episódio anterior. Nossa vida pode transcorrer aos nossos olhos, independentemente da sua  ação diária. 
Mesmo escuro e frio, fecho os olhos pra não ver o que me leva a morte eminente. Fazer uma oração nesse momento pode não trazer a salvação, enquanto espero se a minha vida acabe da forma mais rápida possível.
Pois é o fim.
'E então fez-se a luz'
Onde a claridade se encontra, um sol ilumina tanto que ainda continuo de olhos fechados. Aos poucos os olhos vão se abrindo, e posso ver a paisagem.
Sinto que já não estou em queda, plaino em mutação com o ar, como o pássaro que abre as asas. Sinto um misto de emoções e sensações.
Não preciso de muito tempo para entender que vida nova me foi dada. Posso avistar cada centímetro do horizonte, e admirar. Um impulso em frente e me jogo entre as emoções que vão sendo reveladas a cada inspiração.
Sei que estou desperto.
Sei que vou viver esse momento enquanto a vida me proporcionar isto.



Daniel Ribeiro
#conto

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