- Tem wi-fi?
Ela apenas pensou na possibilidade de revisar o e-mail que estava esperando receber da pauta da reunião de amanhã. Mas a modernidade é um chamativo sem precedente, uma alergia sobrenatural que faz a mente se prender a um redemoinho de informações.
Aquele tempo de olhar para dentro de si, para onde estamos mais residentes há mais tempo, uma vida inteira que pertence as nossas crenças, que em um instante perdemos a noção do que o tempo se faz real.
Um sinal, um recado, a modernização nos faz aproximar os pensamentos e desejos...
- Mamãe, quando você vai chegar?
Depois de Beatriz, uma vida mais intensa se aproximou do que nunca se espera alcançar. Dentre as coisas livres, entre as muitas duvidas, o amor do ser presente faz a conexão que uma máquina nunca será capaz de sintetizar. Aquele aperto, o desespero, o aconchego, as liberdades, as vaidades, de tudo que um momento único nunca pertenceu á nossa intuição.
Basta olhar o espaço vazio, que encontramos a fuga para a anomalia do 'virtualismo', o vírus da inexistência. Perdemos a proteção do invisível, ganhamos a extensão de dados que nos movem, fatos que viram atração, e tudo vira circo.
As pessoas que se conectam por mais contatos são passionais, instinto que nasce junto com o toque de quem é presente, quando criamos oportunidade de sustentar o sentimento junto ao frissom virtual que permite mover os passos com a sensação de asas abertas.
-Já estou chegando, filha.
O amor sempre nos conecta.

#conto





Comentários

Postagens mais visitadas