Um café com meu pai. (Histórias da minha terra)
Todos nós temos que ter um aprendizado na vida; e há coisas simples de se aprender que nos conectam, preenchendo nossa memória. Quando precisamos de um momento no dia a dia que transforme a nossa vivência, os simples aprendizados são momentos de se guardarem na memória.
Para mim, essas memórias são sempre de manhã. Todo dia, acordo com o café pronto, meu pai à mesa e palavras de sinceridade. Foi meu pai que me ensinou a coar café. Esse fruto tão rico é o principal produto da minha cidade natal, Ribeirão Corrente, que nesta data que escrevo está fazendo aniversário. E, há algum tempo, se intitula a ‘terra do melhor café’.
Sempre é bom poder contar um pouco de história, porque as
histórias que aprendi sobre a minha cidade, na maioria das vezes, foram
contadas por meu pai. Ouvi sobre pessoas que sobreviveram com o trabalho, às
vezes escassos, aqui na nossa pequena cidade. Também fiquei sabendo de gente
que contavam suas versões do crescimento da cidade, as diversas dificuldades em
sobreviver do trabalho rural, principalmente no período das ‘panhas’ do café.
Um lugarejo que se transformou em cidade através de uma cultura que veio de outro país. Assim como a natureza de uma planta que se adapta com certos lugares diferente, a nossa cidade foi se adaptando a pessoas de diferentes lugares que se instalaram aqui na cidade, quando ela foi emancipada no ano de 1964. Não podemos comparar nenhuma situação de vida, mas acredito que a força de um lugar se faz com as pessoas e com seus desejos. E a vida parece ser aquilo que nunca planejamos; ela entrega, espera, recebe e doa, conforme vamos partilhando da mesma proporção.
Cada habitação que foi-se construindo nas cercanias da minha
cidade, foram sonhos, esperanças que surgiram, e se dissiparam, mantendo,
assim, a vívida forma simples de se viver em lugares triviais. Todos esses
momentos são feitos de aprendizados e de histórias das personalidades provincianas
que aqui viveram, tanto as mais conhecidas como as menos faladas. E cada uma
dessas histórias foram passadas pelas gerações através dos anos, e são essas
histórias e aprendizados que são partes das memórias de quem aqui viveu, e
vive.
E esse aprendizado estará pra sempre na minha memória. Sendo
com meus olhos de escritor que foram escolarizados na minha pacata cidade, ou com
a singeleza da prosa de nossa população, acostumada a contar diversos ‘causos’
verídicos ou supersticiosos.
E nada será mais bem vindo que uma história dessas, numa mesa
com pessoas especiais, e uma boa xícara de café.
Daniel Ribeiro da Cruz. Poeta e cronista.
Comentários
Postar um comentário