Frutos da fantasia, sementes da realidade

 Sabemos conscientemente o que aprendemos das vivências, das pessoas de próxima familiaridade, e de cativas apoiadoras de nossa índole; se esta compreensão até certa fase não for suficiente, há estudiosos céticos e sabedorias eclesiástica que podem contradizer sua posição inversa do mundo.

No que se diz da fala popular, ouvimos ‘causos’ de diversificadas personalidades, que, levantando encontrada verdade ou enfeitiçando disfarçada mentira, fazem uma ‘veríssima veracidade’ de fatos reger-nos a vida, e daqueles que se postam na vida ao lado da rede se sonhos.

Assim, conforme pontuado anteriormente, referenciando-me a linha do imaginário, resguardo em refugiar-me da regra do destino. Nas situações felizes da infância, todas as crianças tem a oportunidade de expressar sua liberdade; correr no asfalto, sujar no terreiro, se esbaldar nos ‘pés’ de fruta. No caminho da criança-problema, eu saí do atalho, quando, por uma migalha de pão eu encontrei a casa dos desejos.




Sei que todos conhecem essa fábula, e não preciso explicar. Porém utilizo-a como referência para explicar os sentidos que o meu ‘causo’ vem daqui para frente. Quando a infância ganha a liberdade, somos impulsionados pelo caminho da descoberta. Enquanto muitos queriam ser nobres cavaleiros, eu sempre fui fascinado pela magia, e, nessa aventura, eu descobri um portal: o mundo da leitura.

Mas eu preciso sair da fantasia, um momento, e falar da realidade. Depois de longos anos estudando a magia da leitura e da escrita, os mais jovens têm me questionando sobre o que eu fazia na infância. Tenho poucos relatos da minha pequena experiência de uma criança “normal”. Tive meus momentos de menino também. Bolinha de gude, pique-esconde, futebol na rua (tirar o tampo do dedão também foi uma experiência ruim).





Diferente dessas situações, a busca do prazer pela leitura me engrandeceu de formas que ainda não descobri, e procuro dosar quando me posto em revelar na escrita de textos. Ainda que a frustação de não poder contar histórias de heróis reais para a futura geração me foi concedida, eu tenho a esperança de que algum jovem, sendo menino ou menina, encontre as runas que eu deixei marcadas por aí, que os levarão para o portal de conhecimento, onde a leitura é uma fonte inesgotável para criar um mundo de imaginação.

E que através dessa imaginação possam contar a sua realidade, entre as mazelas do mundo de agora, que necessariamente precisa de palavras fortes, desejos revelados, um poder de revelação extraordinário, sobre como a realidade pode ferir e subverter nossas idealizações, e que a esperança está naquele que enxergou além da realidade.

Daniel Ribeiro da Cruz, poeta e cronista.




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