RESENHA - Agosto de Rubem Fonseca. A real política, fictícia ou não, deve ser denunciada

 A vida do brasileiro sempre foi pautada e escrita por fatos históricos, tanto na vida pública como na vida política. É permitido entre nós, que vivemos um regime democrático, nos habilitando a escolher um representante do povo, poder concordar e discordar de legislação que pautam a nossa sociedade.

Bem antes dessas leis serem consolidadas em 1988, o país teve diversos representantes do povo, que marcaram por suas ações acertadas e decisões equivocadas. Nesse sentido, até hoje, há quem diga que Getúlio Vargas foi um grande articulador em seu início de carreira política, mas que, após muitos anos, se perdeu no desejo de poder e teve um fim trágico.

Os fatos que aconteceram no ano de sua morte foram registrados de diversos modos. Notícias de jornais, discursos para a população, fotografias, que eternizam lapsos da momória. Mas, na literatura, para que a narrativa tenha o poder de conhecimento, é preciso fazer uma pesquisa resultando na veracidade do seu fazer literário, em que o receptor, ao realizar a leitura, possa validar os fatos narrados.

Esse artifício de pesquisa sobre os fatos históricos é utilizado por Rubem Fonseca para escrever o romance Agosto, publicado em 1954, em que a narrativa do autor é intrínseca e não verbaliza apenas os acontecimentos da época. O autor se utiliza também da narrativa fictícia para inteligar com o real, transpondo-nos para uma leitura que aborda o comportamento da sociedade ante aos nossos escrípulos sobre a política.

Alberto Matos é um advogado formado que entrou para a polícia, e agora trabalha de comissário. A sua integridade é sempre colocada em xeque, em um ambiente em que a corrupção chegou em seu departamento, e Matos, com seu aversão em detrimento ao comportamento dos colegas, não se corrompe e joga limpo.



Ao começar a investigação de um assassinato de um empresário, descobre que tudo começõu a partir do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, que anda descontente com os mandos e desmandos de Getúlio Vargas, fasendo um política de denúncia e fazendo com que muitos políticos se prestem a proteger seus patrimônios e interesses políticos.

Em suas investigações, o comissário Matos se envolve e descobre tramas e diversos acordos criminosos, e numa tentativa em fazer o certo, vai aumentando sua desconfiança quanto as atitudes da polícia, investigando e entrando mais a fundo nas falcatruas da corrupção, sempre prezando pela sua integridade policial.



Em um narrativa envolvente com elementos de características policial-investigativa, e um pouco de romance, a parte fictícia da obra de Rubem Fonseca é o clímax principal que, juntos aos fatos verídicos, dão um contraponto favorável para a leitura da obra, e o leitor pode, ao realizar a leitura se envolver aos poucos nas investigações da trama.

Sendo real ou sendo fictício, o autor promove ao leitor uma reflexão sobre como o ser humano deve se portar perante os conceitos da nossa legislação. Exercer nosso direito democrático de escolher um representante do povo também deve passar pelo crivo da interpretação literária, que tem uma função importante na sociedade: que a real política, sendo fictícia ou não, deve ser denunciada.

Agosto / Rubem Fonseca. - 9.ed. - Rio de Janeiro : Ediouro Lazer e Cultura, 2018.

1. Brasil - História - Crise de 1954 - Ficçção. 2. Romance brasileiro. I. Título.

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