Uma terra quase esquecida

 No início do século, havia uma mudança de pensamento surgindo no Brasil. Os moldes da sociedade moderna apareciam em alguns contextos, mas, no meio do país, o seu interior era esquecido. Alguns autores tentaram permanecer sobre os fatos e as denúncias que ocorriam no Brasil 'caipira'. Monteiro Lobato que nasceu no interior paulista, com seu propósito de dar vista ao homem do campo, e mostrar a funcionalidade do país em sua essência, ousa mostrar que as cidades que ali foram fundadas nas expedições estavam esquecidas.

Daí o título deste livro de contos, Cidades Mortas. 


Traz relatos fictícios sobre as habitações construídas para o povo trabalhador que buscava sustento no interior do país, mas, teve que sobreviver as custas do seu sustento com a chegada da modernidade. E aponta, principalmente, que os habitantes do que chamamos, hoje em dia, interior do estado, não tinham a providência necessária para uma condição de vida satisfatória, já que, no contexto da época, vinha de um reinado de império que tinha concentração urbana na costa do oceano, como a capital da época, Rio de Janeiro.

 

Cidade de Areias do Vale da Paraíba - Estado de São Paulo

Uma visão de povo simples e consciente da sua situação, que contava com história de ‘causos’ para seus conterrâneos, para quem se apreciasse da vida que ali se vivia. O conteúdo de Monteiro Lobato sobre suas cidades mortas; e a sua visão dos movimentos roceiros dos habitantes de um local que se sustentava do único meio agrícola da região, sendo o período do café; fez de seus contos quase uma súplica para que algum acontecimento desse suporte para as regiões dos habitantes.

Por sorte, e por intermédio dessa aventura literária do autor, hoje temos a sustentação de várias cidades, e algumas até, de um ponto de vista econômico, se ergueram com a monocultura agrícola do seu local de vivência. Nas perspectivas que surgiram com a denúncia do autor, cidades se concentraram em sobreviver, em dar condições para os habitantes, no entanto, outras optaram por não buscar um olhar mais moderno, e permaneceram sustentáveis apenas com o ambiente que foi oferecido.

No ponto de vista literário, dentro da obra podemos destacar contos como: Cidades Mortas, que leva o título da obra; A vida em Oblivion e Os perturbadores de silêncio, destacam-se por narrar uma cidade fictícia, mas com requintes de realidade; Noite de São João, com suas referências as festas do interior. Júri na Roça e O luzeiro agrícola são dois contos que apontam a dificuldade de conhecimento e aprendizado das pessoas que compunham a sociedade que eram oriundas de característica do interior.

Mesmo que Monteiro Lobato tenha ajudado na evolução do país, com seus empenhos de autor de obras literárias, e investidor de instituições, de alguma forma esse livro de contos tem um propósito humanitário com uma vertente para o olhar singelo do ser humano que busca sustentação em sua simples forma de vida. Acredito que suas obras podem ter contribuído de forma relevante e satisfatória, mesmo que na época não fosse considerada sua composição de alguma importância no âmbito literário, sendo sua visão de sociedade e composição escrita uma intenção de denunciar as mazelas do homem que busca apenas ser um homem simples.

Cidades Mortas. Monteiro Lobato

Editora Globo. 2007. 3 estrelas.

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