O Romantismo incomoda, mas não deixa de ser real.
Não houve escola de Romantismo mais bem recebida no Brasil que as obras de José de Alencar. Em um período que a população brasileira estava acostumada a consumir literatura europeia ( século XIX), os romances de Alencar foram uma resposta ao comportamento supérfluo da sociedade.
Sendo esse romance, Lucíola, um dos seus mais idealizados como se comportava os indivíduos, Alencar soube julgar necessário expor cada nuance de uma sociedade cheia de interesses e superficialidade.
Na postura de um idealizador, Paulo, personagem da história, é o contraponto que interfere na vida social da personagem-título, Lúcia. Entretanto, o que podemos entender são as entrelinhas que o autor tece ao mostrar que existe uma redenção, não só da perspectiva da narrativa criada por ele, mas esboça uma forma de 'retirar a venda' que tapa o olho da sociedade.
É bem certo procurar entender qual a ideia que Alencar propôs, além das características marcantes de uma obra do Romantismo. A consciência de Paulo, ao narrar a história, tenta mostrar que desde o início Lúcia teve uma vida antes de se tornar alvo de luxúria dos homens.
É utilizando artifícios presentes tem todo contexto romântico - subjetivismo, evasão, idealização- que Alencar cria esse enredo e mostra que sua personagem principal, Lucíola, vai provar que nem todo indivíduo deve ser manipulado pela sociedade à qual foi inserido. Uma alternativa deve ser salvadora, e ela encontra na compaixão de Paulo, que a faz revelar todos os segredos que estavam na sua superficialidade, em seu modo de viver a vida.
Lucíola, sendo grande clássico, revisto e estudado sempre nas universidades e escolas, pode provar ao leitor que a vida serve para experimentar de todas as maneiras o prazer que proporciona, mas ao gosto do delicioso e paradoxo destino, existe a consciência de rever os nossos atos, e quebrar o muro que nos cerca.
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