O mundo fantástico e (ao mesmo tempo) real de Graciliano Ramos
Já imaginamos que analisar uma obra literária não é um trabalho fácil. E alguns autores brasileiros tem como empenho criar fantásticas obras, e elas nos fazem empreender uma análise detalhada do que sentimos, vivemos e experimentamos ao caminhar pelas linhas compostas do autor. Alexandre e outros heróis, de Graciliano Ramos nos dá essa sensação. E, é ainda tem um potente diferencial, pois se trata de uma obra composta de 3 em 1.
São três análises diferentes, que, no entanto, podem expressamente, se tornar uma só, segundo a análise de Osmar Lins, pois " Não obstante pertençam à mesma fase e estejam em um só volume, os três escritos diferem muito". A cultura popular nos traz diversos fatos que contamos em nosso ambiente. Histórias que viram lendas, e que muitas vezes alguém se dá ao gosto de passar adiante. Muitos destes fatos são registrados pelo popular gosto de sentar numa varanda e contar causos. Ramos têm esse conhecimento de histórias populares, e são estes escritos as histórias contadas por Alexandre, um senhor bem vivido, que tem muitos causos sobre suas aventuras vividas, e que por uma certa extravagância nos leva ao extremo do extraordinário e da fantasia, que como os personagens ao redor, nos dá a sensação de crer e nunca duvidar da vida de Alexandre.
A Terra dos Meninos Pelados é um conto muito, acredito, do ponto de vista de quem entende o seu significado, suas metáforas, e suas concessões e conclusões. A história vivida por Raimundo tem, na minha opinião, uma alusão a história de Lewis Carroll, Alice no país da maravilhas, muito bem quista por muitos leitores. Raimundo é, por tabela, um contraponto na história de muitas pessoas, pois ter a capacidade de superar a aversão que sentia dos habitantes da sua cidade, sair para uma aventura, onde encontrar seus iguais, e ainda ter o desejo de voltar, é uma mostra que, um dia, temos que assumir nossas responsabilidades no mundo real em que vivemos.
Em seguida, é exatamente isso que Graciliano Ramos faz ao seu leitor á época. Trata-se de uma análise, ao olhos do escritor, sobre sua ótica dos fatos ocorridos no Brasil desde o início da Proclamação da República no Brasil. Não podemos afirmar que são crônicas, pois vários cronistas já afirmaram que não se trata de analisar desta forma. Trata-se, especificamente, de um brasileiro, como Ramos se identifica, que juntou os fatos históricos deste período, e, minuciosamente, explicou para muitos de nós, brasileiros como ele, que tal período foi um desastre para a nação, mesmo com vários erros , e alguns acertos, mesmo que poucos. A construção da nossa República não foi apenas um acordo e assinação de documentos. Foi, antes de tudo, um embate feito de sangue e luta, desde o seu primórdios.
Desta análise, temos assim, a lucidez de Graciliano Ramos em conectar as três histórias, em que a primeira são coisas que ouvimos e temos que criar a nossa visão para prender a atenção das pessoas. O segundo momento, tem-se a visão de estar fora de si na maior parte do tempo, e num assomo, estar ciente que precisamos viver a vida ao nosso redor. E, por fim, a realidade em si nos traz a reflexão que a batalha por nossas vidas está muito além de imaginar um mundo ideal, devemos aceitar nossos desejos e lutar por eles. Sendo esta a análise feita até aqui, concluo ser esta obra de Graciliano Ramos um mundo, que nos torna refletir sobre como estamos vivendo. Se estamos em um mundo inventado, ou um mundo construído, tanto pela nossa imaginação, como pelo nossos atos, tornando- se algo parecido com um mundo fantástico e (ao mesmo tempo) real.


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