A poética de como saber viver, e sobreviver
Não posso dizer que eu queira falar bem sempre da narrativa do Guimarães Rosa, mas nesse feito, eu cada vez mais me surpreendo.
Para que um lado seja compreendido, o outro se aquieta. E foi o que fiz, eu deixei Guimarães falar em mim, em cada conto, em cada enredo. Sendo por ele feito a busca pelo simples, de como viver nas andanças, senti que fazia parte de cada conto, de cada experiência, como se presenciasse o fabuloso, o inventário, me fiz um personagem, sem ter sido criado.
E na minha opinião, essa é a melhor maneira de se ler Rosa. Querer ser uma testemunha das façanhas d'O burrinho pedrês, presenciar o que conta Minha Gente sobre A volta do marido pródigo, ou falar sobre O Duelo; saber que ouve uma Sarapalha, e ainda mais uma Conversa de bois, é fazer parte do imaginário; onde uma história narrada sabe bem A hora e a vez de Augusto Matraga, se ele tinha Corpo fechado, ou fazia sempre a oração pra São Marcos.
Entre todas elas queremos fazer parte, e entender a poética de como saber viver, e sobreviver nesse universo de Sagarana.
SAGARANA Rosa, João Guimarães, 1908-1967 [Ed. especial]- Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2015.

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