FAZ DE CONTA QUE A GENTE FAZ DE CONTA
Tá complicado.
7:00 da manhã. O que esperava em troca?Um motim?
Nem mesmo aquela necessidade de buscar um café na padaria da esquina pode mudar esse momento.
E mesmo assim você me pediu pra não trazer somente a minha saudade da ultima noite, mas quando a gente mudou de endereço, foi apenas a correspondência que eu precisei buscar toda manhã.
E hoje é sábado. Mas fazem duas semanas que nem mensagem de texto no celular eu recebi. E eu preciso pagar as contas.
Tá complicado.
Separa pra mim aquela camiseta que você insistiu que ia levar pra ficar sentindo o meu perfume. Eu não preciso dela hoje, mas eu não quero lembrar do seu perfume quando eu vestir ela por acaso. Vou até aproveitar que a dona Inês vai ao meu apartamento hoje.
Tenho aprendido tanto sobre cuidado com a rotina, mas a Inês que me lembra de como eu devo manter as minhas coisas em ordem. Sempre é bom ter alguém pra ensinar algo sobre a vida.
Pode nem ser complicado, mas admito que é assim que está.
Falo por mim, porque você já me avisou desde sempre. Mas se por causa disso o rótulo de babaca já veio na embalagem, eu prefiro ficar reciclável. Pronto pra outra.
Não é como se fosse um banho, que eu demorei admitir que precisava sempre quando ia pro trabalho de meio período na revista, mas é uma mudança. Que a gente procura não demostrar muito quando está no 'perrengue' da vida, como diz dona Inês.
Quantas vezes foi preciso dizer para os meus amigos que eu não tinha vontade de te ver mais, como se fosse uma mentira simples de dizer; se não fosse pela monotonia de sair todo dia para os mesmos lugares que eles. Até fiquei melhor que eles na sinuca.
Se existir felicidade nas lacunas que a gente deixa por aí, mesmos os fios soltos, nunca deixam de se encontrar nas ideias soltas dos lugares que deixamos de revisitar; e em cada pedaço que se discute sobre os ecos que gritamos para os nosso medos e fantasias, a gente simplesmente faz de conta que a gente faz de conta pra ver se a realidade não se transforma em pesadelo.
E poxa, hoje é sábado.
E eu quase não tenho dia de folga, mas eu estou indo aí só pra buscar algo que eu preciso, vai ser só uma visita rápida. Então, se não for ficar em casa, deixa a chave com o porteiro, que eu encontro meu velho amigo e troco umas ideias. Falo pra ele que não pretendo voltar outro dia, e combinar outro barzinho.
Mas se for ficar em casa, não precisa fazer nenhum esforço de fazer cara feia.
Pode somente abrir a porta e deixar que eu entre sem questionamentos se eu estou bem.
Algumas dificuldades sobre quando eu desisti de entender o que era significar algo para alguém deu pra notar no momento em que lembrei que você cobrava as atitudes que agora, quando menos espero entender, eu estou de volta ao nosso antigo apartamento.
Tá complicado.
Mas eu estou bem.
Daniel Ribeiro
7:00 da manhã. O que esperava em troca?Um motim?
Nem mesmo aquela necessidade de buscar um café na padaria da esquina pode mudar esse momento.
E mesmo assim você me pediu pra não trazer somente a minha saudade da ultima noite, mas quando a gente mudou de endereço, foi apenas a correspondência que eu precisei buscar toda manhã.
E hoje é sábado. Mas fazem duas semanas que nem mensagem de texto no celular eu recebi. E eu preciso pagar as contas.
Tá complicado.
Separa pra mim aquela camiseta que você insistiu que ia levar pra ficar sentindo o meu perfume. Eu não preciso dela hoje, mas eu não quero lembrar do seu perfume quando eu vestir ela por acaso. Vou até aproveitar que a dona Inês vai ao meu apartamento hoje.
Tenho aprendido tanto sobre cuidado com a rotina, mas a Inês que me lembra de como eu devo manter as minhas coisas em ordem. Sempre é bom ter alguém pra ensinar algo sobre a vida.
Pode nem ser complicado, mas admito que é assim que está.
Falo por mim, porque você já me avisou desde sempre. Mas se por causa disso o rótulo de babaca já veio na embalagem, eu prefiro ficar reciclável. Pronto pra outra.
Não é como se fosse um banho, que eu demorei admitir que precisava sempre quando ia pro trabalho de meio período na revista, mas é uma mudança. Que a gente procura não demostrar muito quando está no 'perrengue' da vida, como diz dona Inês.
Quantas vezes foi preciso dizer para os meus amigos que eu não tinha vontade de te ver mais, como se fosse uma mentira simples de dizer; se não fosse pela monotonia de sair todo dia para os mesmos lugares que eles. Até fiquei melhor que eles na sinuca.
Se existir felicidade nas lacunas que a gente deixa por aí, mesmos os fios soltos, nunca deixam de se encontrar nas ideias soltas dos lugares que deixamos de revisitar; e em cada pedaço que se discute sobre os ecos que gritamos para os nosso medos e fantasias, a gente simplesmente faz de conta que a gente faz de conta pra ver se a realidade não se transforma em pesadelo.
E poxa, hoje é sábado.
E eu quase não tenho dia de folga, mas eu estou indo aí só pra buscar algo que eu preciso, vai ser só uma visita rápida. Então, se não for ficar em casa, deixa a chave com o porteiro, que eu encontro meu velho amigo e troco umas ideias. Falo pra ele que não pretendo voltar outro dia, e combinar outro barzinho.
Mas se for ficar em casa, não precisa fazer nenhum esforço de fazer cara feia.
Pode somente abrir a porta e deixar que eu entre sem questionamentos se eu estou bem.
Algumas dificuldades sobre quando eu desisti de entender o que era significar algo para alguém deu pra notar no momento em que lembrei que você cobrava as atitudes que agora, quando menos espero entender, eu estou de volta ao nosso antigo apartamento.
Tá complicado.
Mas eu estou bem.
Daniel Ribeiro

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