O TEMPO NÃO É CONTRARIO SE A GENTE VAI PRA FRENTE
Tínhamos o hábito de correr
todas as tardes, no parque, ou nas pequenas rotas que a gente descobre aleatoriamente.
Mas um dia, eu fui sozinho pela simples pretensão de falar com o tempo,
esperando um sinal.
Nessas horas a gente nunca
percebe a vontade de pisar forte com a nossa liberdade a vista, nesse momento
tudo parece mais simples enquanto for, apenas, os seus pés a lutar contra sua
força de vontade. Uma aspiração te toca quando você vê uma nuvem te mostrar
entre uma breve preguiça de aparecer, os pequenos raios de sol que iluminam o
trecho do caminho que eu parei para perceber um lugar que por um acaso eu quis
ali fazer morada.
Mas a gente não correu mais
depois desse dia.
Eu tinha minhas aulas de
conhecimentos gerais, e ela devia ter descoberto um novo rumo, onde a rota não
fazia parte da nossa geografia. Mas eu ainda sentia vontade de visitar nosso
chalé em construção. Os seus escombros não se reerguiam sozinho como esperado,
porque no mês anterior venceu o contrato da construtora, e eu precisei verbalizar
com o empreiteiro para conseguir tempo para outra verba. Sabe que as coisas
nunca vão ser normais, mesmo que pretendendo fazer isso ‘mundo e fundo’, como
dizia minha tia-avó, sendo que as coisas quase nunca deram certo para mim.
E depois de alguns meses
querendo já assinar a venda do recanto que eu tinha como especial, faltando
apenas assinar os papéis que iam chegar pelos correios, eu tive vontade de
correr de novo. No primeiro dia fiz apenas 3 km. Pra aquecer as veias e a alma.
E fui aumentando a meta.
Quando já estava de novo
alcançando os 20 km, o vento resolveu um dia soprar um vento forte, as nuvens
que eram simpáticas pareciam soprar a veracidade das minhas indecisões daquele
dia, e por destino involuntário, fez com que eu me escondesse naquele chalé
esquecido. Eu sei que faz parte da lembrança voltar a viver o passado, mas para
minha felicidade, não achei lembranças ali. O que eu achei foi apenas uma
vontade de esperar a chuva passar, porque nada do que importa quando algo foi
deixado para trás deve promover um ponto de ebulição.
Nada mais aqui aquece, ou
faz ferver a vontade. Nada aqui faz parte dessa minha nova motivação. Sei que
parece futilidade, mas quando marcas se encarregam de transparecer no tempo, é
porque ele foi seu melhor confidente. Eu descubro cada segundo aqui a intensidade
dos meus momentos felizes. Estendo cada desejo pra voltar a crescer em mim
todas as imperfeições que eu quis concertar; acontece sempre assim, mas não
acontece quando eu percebo que se permite a vontade de correr longe do tempo
imperfeito que nunca reparamos.
Sei que agora avisto o pôr
do sol me chamando pra admirar, mas não ter pressa nesse momento faz mais tranqüila
a caminhada para nossas aspirações.
Daniel Ribeiro

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