DÁ ANSIEDADE EM TE VER
É difícil entender o que é esperar nesse momento que eu estou tremendo por dentro, já nem posso mais bater o pé na calçada que logo um passante vem olhar de rabo de olho, é meio que uma tortura não pertencer ao meu estado normal quando chega a hora de sair da rotina.
E mesmo assim, ao longo do dia, não vejo essa hora como um calmante ou analgésico; vejo que nesse momento o relógio parece não ter os ponteiros no lugar certo, e cada hora faz meus pés se compassarem no ritmo das minha batidas dos pés.
O circular urbano não parece apenas transporte de pessoas, apesar de não ser estranho eu notar alguma ou outra pessoa a também olhar o tempo do relógio, como se nada mais fosse desesperador, e que nesse momento a 'condução' podia levantar voo no meio da avenida e finamente alcançar o seu destino final. Mas é preciso não gerar mais pânico ao redor, com tanta gente absorvida nos pensamentos, com tantas pessoas vendo outras vidas nas janelas, outras pessoas a contar o tempo, a tremer o passos, a marcar o ritmo da insignificância que é esperar o tempo certo de chegar.
Vejo que os mais despertos são os idosos. Ah, essa idade me traz tranquilidade. Quando vejo um senhor contar dos saudosos momentos que não passam despercebidos da memória, quando sorria para a senhora que alivia os momentos com os problemas que parece fácil superar, eu sinto que as minhas pernas relaxam, que eu regozijo da mesma experiência, mas que não posso superar a aura dessa personagens que recriam o momento de pureza da nossa vida. Respirar o sopro da melhor idade é sentir a vida fervilhar por dentro, é receber um gás que eleva nossos pensamentos a sentir o mundo com mais leveza. E por isso respeitamos tantos ensinamentos vividos.
Mas ainda assim, eu olho para o tempo lá fora. E nesse ponto, o passo acelera.
Não parece que perdi o tempo, parece que ele toma de mim o que não pode ser encontrado nem com todos os amuletos que você me presenteou. O bilhete no guardanapo engordurado naquela pastel de feira, aquele carimbo de 'catchup' na nota de 2 reais, a pétala do jardim do restaurante japonês que acidentalmente veio parar no meu bolso depois de 10 saquês...
E nem assim eu consigo pensar que, todos esses motivos foram apenas a razão por eu ter agora um tique nervoso quando começo a pensar em sair do trabalho, de todo dia eu achar que o relógio acabou a pilha, ou o celular parou de funcionar por falta de bateria. Aliás, eu nunca vou entender porque mesmo o meu numero seja o que está no topo da sua lista, se chega no fim da tarde você não perguntou nem se eu almocei direito.
Mas como todo início de relação, tudo o que for pra ser aproveitado a gente guarda num cantinho da bagunça do coração, e o que for entulho, joga fora pra nunca mais deixar incomodo.
Só não digo que preciso de férias, porque também preciso ficar longe um pouco de você.
Eu preciso dessa falta todo dia, dessa ansiedade em te ver.
Daniel Ribeiro
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