ALGO QUE ENCANTE O PENSAMENTO
Respirou fundo, olhou ao redor procurando algo que o olhar não deixe perceber, na intenção de fingir que o momento não era oportuno dar sermão pra quem, naquele instante, só conseguia mexer nos talheres em cima da mesa, e bebericava um pouco do vinho sem questão de demonstrar gosto, e tampouco dava atenção a sua mão estendida a centímetros dali. E nesse momento refletiu.
-Sabe, todos acham que a gente brinca de inventar amor onde não existe, e quando ele existe que a gente brinca de amar o que não cabe no amor. Existe mesmo a falta de atenção nos olhares dispersos da informatização do mundo, do tempo inesgotável de parar o tempo pra olhar o belo.
E ficou para quem entende de sentir se mobilizar com gestos, com toques de imperfeições no caminho da sensibilidade. Ficou o abstrato. E fica difícil perceber que em todas as oportunidades,vamos falando de amor sem ele ser real, o que acontecia antes mas nunca parávamos pra olhar dessa forma.
Já se vê por aí canções dedicadas ao alento, palavras desenhadas no papel; tem o verso, e tem o texto. Ouvi algumas vozes declamarem, coube assim o que perdi no pensamento.
Tudo se encaixa na caixinha da alma, onde os 'cacarecos' do coração estão misturados ao sentidos que nossa imaginação permite organizar.
Tem gente que fala de saudade como se fosse uma regra da vida, mesmo os que já entendem que tudo tem um final. E se todos mudassem a regra? Se por um momento, alguém desistisse de falar de saudade, e começasse a chacoalhar as pessoas psicologicamente, com verdades sem sentido?
Eu não entendo quando alguém diz ser racional abandonar uma história, dizendo que fez tudo para dar certo. Não, a gente não faz tudo. Só dá pra encarar o muro enquanto não tem certeza que você treinou o suficiente pra se impulsionar para o patamar. É algo muito relativo, que encanta o pensamento.
Hoje em dia, não dá tempo pra sentir mesmo que a gente queira. Tem que prestar atenção ao seu redor. Terminou, já com a sensação de ter perdido a noite com tanta conversa jogada fora, mas com a intuição de que era possível ter finalmente desperto algo que encante o pensamento.
E do outro lado da mesa, um sorriso esboçou o que chamou de um sinal pra se lembrar.
Daniel Ribeiro
#conto
-Sabe, todos acham que a gente brinca de inventar amor onde não existe, e quando ele existe que a gente brinca de amar o que não cabe no amor. Existe mesmo a falta de atenção nos olhares dispersos da informatização do mundo, do tempo inesgotável de parar o tempo pra olhar o belo.
E ficou para quem entende de sentir se mobilizar com gestos, com toques de imperfeições no caminho da sensibilidade. Ficou o abstrato. E fica difícil perceber que em todas as oportunidades,vamos falando de amor sem ele ser real, o que acontecia antes mas nunca parávamos pra olhar dessa forma.
Já se vê por aí canções dedicadas ao alento, palavras desenhadas no papel; tem o verso, e tem o texto. Ouvi algumas vozes declamarem, coube assim o que perdi no pensamento.
Tudo se encaixa na caixinha da alma, onde os 'cacarecos' do coração estão misturados ao sentidos que nossa imaginação permite organizar.
Tem gente que fala de saudade como se fosse uma regra da vida, mesmo os que já entendem que tudo tem um final. E se todos mudassem a regra? Se por um momento, alguém desistisse de falar de saudade, e começasse a chacoalhar as pessoas psicologicamente, com verdades sem sentido?
Eu não entendo quando alguém diz ser racional abandonar uma história, dizendo que fez tudo para dar certo. Não, a gente não faz tudo. Só dá pra encarar o muro enquanto não tem certeza que você treinou o suficiente pra se impulsionar para o patamar. É algo muito relativo, que encanta o pensamento.
Hoje em dia, não dá tempo pra sentir mesmo que a gente queira. Tem que prestar atenção ao seu redor. Terminou, já com a sensação de ter perdido a noite com tanta conversa jogada fora, mas com a intuição de que era possível ter finalmente desperto algo que encante o pensamento.
E do outro lado da mesa, um sorriso esboçou o que chamou de um sinal pra se lembrar.
Daniel Ribeiro
#conto
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