DETALHES
não acredito que você esqueceu de pagar a conta...
pode por favor ir buscar a mamãe no hospital...
não tem feijão...
ah,meu Deus, bati o carro naquela esquina da padaria...
não gostei daquele restaurante de ontem, na próxima eu indico...
pode por favor ir buscar a mamãe no hospital...
não tem feijão...
ah,meu Deus, bati o carro naquela esquina da padaria...
não gostei daquele restaurante de ontem, na próxima eu indico...
Você dizia coisas que qualquer um podia entender, mas que
para quem convivia nunca era suficiente; era preciso entender de filosofia,
quando perguntava de todas as sensações do dia a dia. Percebi certa vez ,no seu tom de voz, que a tristeza
fazia parte do sentimento, mas eu não podia deixar transparecer o incomodo.
Toda tarde dava para perceber a busca pelo sorriso, num esforço para cooperar com o bem estar das pessoas, do prazer de ter a companhia tranquila.
Sempre me contagiei com seus devaneios sobre brincar de ser feliz.
Eu sorria, fazia piada, todo motivo consequente de tentar agradar.
Mas eu era imprudente com seus detalhes de oferecer uma paz que quase sempre não existia. E nunca se notava que nas tardes que eu me atrasava, você só pedia atenção quando eu demostrava que estava exausto.
Sendo que quem tinha a liberdade do dia a dia era você, pra perguntar qualquer duvida, trocar figurinhas com todas as suas amizades que sempre sentiam sua falta, e você não exitava em dar um apoio, até se fosse pra sair pro shopping.
Tantas demonstrações que o tempo é capaz de proporcionar, numa inexatidão sem contexto, nas pretensões sem limite, num simples apoio de compreensão dos fatos quando eles não combinam com essa tarefa de apoiar sua virtudes mais efêmeras.
Mas hoje eu estou aqui do seu lado, nessa cama de hospital, você desfigurada, sem os amigos de antes, só eu e você. Os médicos já não tem a esperança de antes, e mesmo eu estando aqui todos os dias, eles já não demonstram o mesmo animo do inicio, o mesmo gesto de ´dar um tapinha nas costas´. Sendo amanhã outro dia, é melhor ir dormir...
E no celular ainda vejo sua ultima mensagem...
não esquece de trazer feijão...
Daniel Ribeiro
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