NEVOEIRO


Eram apenas fases.
Mas preferiu contar como garantias que se transformam em recompensas. Papéis espalhados na mesa, o vento da tarde refresca a janela, o tic-tac do relógio.
-É só um vento frio.
Ela se agarra ainda mais forte ao blusão, e deixa o cortante sopro ultrapassar seu domínio mental. Quantas vezes o vento foi sua inspiração, deixando que as marcas profundas levassem suas perturbações.
O que o vento leva, o que o vento traz; o que deixamos de captar.
-É só o vento. Frio e amigo.
Podemos nos entreter, mas são essas canções que passam a marcar a hora que descobrimos   nossa fragilidade, nossa pretensão de reorganizar o pensamento.
Tão rápido que não possa pensar numa solução, onde ela respira o vento a sua solidão vai se amenizando, a sua gratidão transpirando onde nenhum traço do rosto deixou a sensação demonstrar.
Frio e amigo vento.
É como um carinho que a mãe transcorre, é como um breve toque que deixa o pensamento em delírios, sabendo carregar a sua alma de sentimentos.
Uma fase passa, mas o vento sempre volta.
Daniel Ribeiro




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